sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O comunismo e as consequências do poder, na obra de George Orwell

Seria muito simples definir o comunismo como uma fatalidade dialética, enumerando os fatores que engendrariam a grande massa superexplorada a tomar posse dos meios de produção, e utiliza-los ao seu próprio benefício. Porém, a obra de George Orwell A Revolução dos Bichos (1944) explora um ponto muito mais ambíguo do que a simples relação Burguesia X Proletariado; ela se propõe a discernir o âmago da questão. O problema da sociedade humana são os mecanismos estruturais políticos, ou a própria essência do ser humano, que ao ter acesso ao domínio sobre os outros, revela suas piores mazelas. Seria o homem (bichos não falam, nem se organizam politicamente), como disse Rousseau, um produto de seu meio, ou o texto reforçaria o argumento de Hobbes, quanto à essência subjetivamente corrompida da humanidade ("O homem é o lobo do próprio homem")? Pois, quando o porco da fábula chega ao poder, ele se torna igual ao antigo proprietário da fazenda (segundo a obra, até mais explorador) que ele tanto reprovava. De que adianta, segundo a obra, os sonhos de Major; que simboliza Lênin; ou as grandes idéias de Bola-de-Neve; que simboliza Trotsky; se o grande vitorioso da história foi Napoleão; que simboliza Stalin; ao utilizar a força como meio de imposição de seus ideais?!
Qual seria o grande fator determinante da história, possuir os meios de produção e controlá-los em seu próprio interesse, ou ser incapaz de resistir ao mesmo erro que todos os outros cometeram? E que apesar de tanta acusação e inconformismo, aqueles que substituem os que no poder estavam, repetem os mesmos atos dantes reprovados. Ou não teria feito os bolcheviques de Lênin o papel da burguesia, no processo da industrialização soviética? E o que falar da nomenklatura, símbolo de corrupção e democracia?
Portanto, se demonstra da obra de George Orwell que o status do poder é muito mais perigoso do que a identidade da classe que nele se estabiliza, mesmo porque, em ultima análise, será quem está no poder que irá determinar as posições daqueles que estão participando do processo em voga! Afinal, até um porco com poder se parece com um homem, segundo a obra; e o que é mais lamentável: os homens que estão no poder, ficam parecidos com os porcos!

BIBLIOGRAFIA:

HOBBES, Thomas, "Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil" , 1651
ROUSSEAU, Jean-Jacques, "Do Contrato Social", 1762
ORWELL, George, "A Revolução dos Bichos", 1944

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